Review de Dead by Daylight: matar, sobreviver e vencer


Maurício Amaro
Maurício Amaro

Dead by Daylight é em todos os sentidos uma constante tentativa de se provar. E isso não é à toa. Estamos falando de um título que surge em meio a uma safra bem-sucedida de jogos de sobrevivência e de terror. Evolve, Until Dawn e Friday The 13th: The Game são alguns exemplos que, apesar das muitas falhas que possuem, são mencionados com certo respeito em um nicho cada vez mais saturado que é o do survival horror. Destacar-se nesse meio não é, portanto, uma tarefa fácil.

É por isso que Dead by Daylight precisa ser compreendido como um jogo que busca recobrar o fôlego. Em primeiro lugar o seu próprio, visto que migrou do PC para os consoles. Em um segundo momento, é um game que se propõe a trazer aos jogadores uma experiência se não original, pelo menos diferenciada quando a temática é "um grupo de adolescentes barulhentos fugindo de um serial killer silencioso". E nisso, podemos afirmar, Dead by Daylight é um sucesso, embora infelizmente seja um sucesso passageiro.

Cinco jogadores, quatro sobreviventes e um assassino

Dead by Daylight personagens

O título acima poderia facilmente resumir Dead by Daylight. Ele é mais do que isso, sim, mas em termos de modos de jogo é bastante limitado. A ideia principal centra-se sempre em uma mesma proposta: quatro jogadores precisam escapar com vida, enquanto outro tenta matá-los. Isso ocorre em cenários gerados de forma aleatória, em partidas online e multiplayer sem limite de tempo.

Mesmo com essa limitação, Dead by Daylight permite que os jogadores personalizem até de forma bastante ampla essa experiência. Decidir em qual lado você irá jogar, por exemplo, é uma vantagem em relação a outros títulos do gênero. Ainda que o objetivo do jogo continue sendo matar ou sobreviver, essa escolha dinamiza o gameplay e mantém os jogadores interessados nele por mais tempo.

Assassino

Caso escolha jogar como assasino, há alguns pontos importantes em termos de mecânica de jogo. O principal deles é que a câmera passa a ser em 1ª pessoa. Pode ser um pouco confuso no início realizar os ataques nesse ponto de vista, mas é meramente questão de prática.

Assim como ocorre com os sobreviventes, há mais de um assassino. Dead by Daylight oferece boas opções de serial killers para o jogador controlar. São seis diferentes assassinos no jogo-base, além de pelo menos outros nove que podem ser adquiridos na Store do game. Alguns fazem referência a filmes famosos, inclusive, como Michael Myers e Freddy Krueger.

Mas isso não é o mais divertido em relação a isso. Cada criatura possui habilidades únicas e formas diferentes de atacar suas vítimas. The Hag, por exemplo, é uma assassina amaldiçoada que usa armadilhas para se teletransportar para perto delas quando são ativadas pelos sobreviventes. É bastante eficiente se o jogador está muito longe de quem ativou a armadilha.

Essas habilidades e armas únicas facilitam com que os jogadores encontrem mais facilmente seu estilo de jogo. Apesar de normalmente mais lentos em comparação aos sobreviventes, os serial killers não podem ser mortos, o que faz deles inimigos implacáveis. Assim como os sobreviventes, os assassinos possuem um sistema de progressão que utiliza Bloodpoints.

Veja abaixo quais são os serial killers do jogo:

  • Evan MacMillan - The Trapper
  • Philip Ojomo - The Wraith
  • Unnamed Boy - The Hillbilly
  • Sally Smithson - The Nurse
  • Lisa Sherwood - The Hag
  • Herman - The Doctor
  • Adiris - The Plague (Disponível na Store)
  • Frank Morrison - The Legion (Disponível na Store)
  • Rin - The Spirit (Disponível na Store)
  • Kenneth Chase - The Clown (Disponível na Store)
  • Amanda Young - The Pig (Disponível na Store)
  • Freddy Krueger - The Nightmare (Disponível na Store)
  • Leatherface - The Cannibal (Disponível na Store)
  • Anna - The Huntress (Disponível na Store)
  • Michael Myers - The Shape (Disponível na Store)

Sobreviventes

A um primeiro olhar, os sobreviventes são adolescentes fracos, desarmados e que contam basicamente com a agilidade do jogador para se manterem vivos. Porém não são genéricos. É possível escolher entre uma boa variedade de personagens, cada um com uma história e com nomes próprios. Se desejar, pode ainda personalizar suas roupas e minimamente o seu rosto.

Jogar como sobrevivente exige acima de tudo agilidade, foco e paciência. A câmera é em 3ª pessoa, o que facilita analisar o ambiente ao redor em busca de outros survivors ou mesmo do assassino. Em comparação ao serial killer, os sobreviventes podem correr, se esconder em armários e derrubar objetos para bloquear a passagem atrás de si.

Há também um sistema de progressão, chamado de Bloodweb. É literalmente uma teia de habilidades que podem ser desbloqueadas usando os Bloodpoints. Essas habilidades garantem maior chance ao seu sobrevivente de conseguir escapar com vida das sessões de jogo. Conforme uma teia é completada, a personagem sobe de nível.

É possível obter Bloodpoints jogando tanto como assassino quanto como sobrevivente. Escolher com quem irá jogar muda completamente o gameplay, o que é muito interessante. Não são só dois pontos de vista diferentes, mas também dois games diferentes em um mesmo título. Sua escolha nesse sentido vai depender do estilo de jogo com o qual se identifica mais.

Causar tensão é a grande aposta de Dead by Daylight

Dead by Daylight Ghostface

Apesar de Dead by Daylight ser um jogo inteiramente online e multiplayer, ele tem certa base narrativa. Todos os assassinos servem à Entidade, um ser desconhecido que criou a dimensão onde as personagens estão presas. Esse jogo de hide and seek proposto por Ela é chamado de trial. Cada partida é um novo trial, e a Entidade escolhe os cenários e as posições no mapa que cada participante irá iniciar o jogo.

O objetivo dos killers é pendurar todos os sobreviventes em ganchos espalhados pelo cenário. Quando isso ocorre, há uma pequena chance de as vítimas escaparem. Isso pode acontecer por mérito próprio, ao se debaterem, ou com a ajuda de um dos outros companheiros. Caso um sobrevivente escape e seja recapturado e recolocado em um gancho, as chances de voltar a escapar são quase nulas. Depois de um tempo suspensos no gancho, a Entidade aparece e leva o corpo para outra dimensão.

Isso por si só já faz de Dead by Daylight um jogo muito tenso. O clima de desconfiança quando se joga com um sobrevivente é constante. Durante boa parte do trial não há qualquer trilha sonora ou barulho a não ser os sons da natureza. Para escaparem, os sobreviventes precisam reparar cinco geradores espalhados pelo cenário, de modo a abrir as saídas do trial.

Multiplayer assimétrico, mas nem tão cooperativo assim

É claro que o ideal seria todos se unirem para repararem um gerador por vez em vez de cada um tentar reparar um dos objetos sozinho. E aqui está outro ponto positivo de Dead by Daylight: ele estimula o trabalho cooperativo, mas ao mesmo tempo dá liberdade para que os jogadores ajam de forma individualista. Não saber se você terá ajuda nos trials é bastante angustiante.

Ao mesmo tempo causa agonia ver um sobrevivente sendo perseguido pelo assassino. Como não é possível matá-lo ou mesmo atacá-lo, só lhe resta observar ou correr para o lado oposto. Além disso, conforme se observa que as vítimas estão morrendo, vem aquela sensação de que você é o próximo. Isso causa uma genuína tensão enquanto se tenta reparar geradores, encontrar saídas ou simplesmente fugir da morte inevitável.

Já como assassino, a adrenalina não é menor. Apesar de imortal, mais forte e com recursos, continua sendo um contra quatro. Assim que o primeiro gerador é reparado, a sensação de angústia começa a aumentar se você ainda não conseguiu pelo menos um sacrifício.

Não é à toa que o estilo de multiplayer assimétrico de Dead by Daylight funciona muito bem. Assassinos e sobreviventes possuem vantagens e desvantagens, o que não torna uma experiência mais emocionantes que a outra. Apesar da assimetria estrutural do jogo, há um equilíbrio muito bom na diversão, independente do lado que escolher jogar.

Um jogo simples, mas repetitivo

Dead by Daylight prós e contras

Dead by Daylight é um jogo de mecânicas muito fáceis de serem dominadas. Duas ou três partidas como sobrevivente ou como asassino e já é possível jogar em bom nível.

Essa simplicidade é percebida também nos gráficos. Não são ruins, porém poderiam ser muito melhores, já que estamos falando de um jogo da 8ª geração dos consoles. Aliás, a migração do game do PC para os consoles não impediu que houvesse bugs e travamentos, principalmente nas execuções das vítimas. Isso pode ser incômodo para os mais perfeccionistas, mas não é nada assim tão grave.

Ambientação de filme de terror

Os problemas gráficos são recompensados pela ambientação de Dead by Daylight. Os cenários são gerados automaticamente pelo jogo, e em quatro, cinco partidas seguidas esteja certo de que os ambientes não serão os mesmos. Sanatórios, bairros abandonados, plantações de milho são alguns dos locais em que se passam os trials. Há boas opções de esconderijo para os sobreviventes, assim como cantos encobertos para os assassinos esperarem.

O som, ou a falta dele, como mencionado anteriormente, é também um ponto positivo. A não ser que assassino e vítimas se encontrem, é tudo absoluto silêncio. Errar na reparação do gerador pode causar uma explosão e denunciar sua localização. Correr depressa pode alertar a criatura. Animais selvagens, como corvos e outros pássaros, podem levar o serial killer as suas vítimas. Não é à toa que na primeira vez que jogar será aconselhado a usar um headset.

Falta modos de jogo

Dead by Daylight, no entanto, é repetitivo em sua fórmula. Além do Tutorial, há quatro opções de modo de jogo. Metade para jogar com os amigos, metade para jogar com players aleatórios. Jogar com os seus amigos certamente é uma experiência divertida, mas eles nem sempre estarão online ao mesmo tempo que você. Isso restringe um pouco a diversão, já que o multiplayer com jogadores aleatórios costuma ser bastante individualista e impessoal.

Quem tem uma conta no Twitch pode conectá-la ao jogo. Há desafios especiais que podem ser cumpridos ao fazer uma streaming de suas partidas em Dead by Daylight. Eles lhe concedem prêmios especiais, que podem ser trocados por melhorias para as suas personagens.

Ainda assim, independente do modo que escolher jogar, tudo se resume a jogar como sobrevivente ou como assassino. Depois de algumas dezenas de trials, a dinâmica de Dead by Daylight torna-se um pouco cansativa. Mesmo com os constantes conteúdos adicionais, não há inovação no principal. Matar, sobreviver e vencer acaba perdendo a graça mais rápido do que os desenvolvedores do jogo gostariam. Principalmente porque não há exatamente um sentido de progressão ou de conquista.

Dead by Daylight vale a pena?

Vale a pena comprar Dead by Daylight

PRÓS:

  • Liberdade de escolha entre assassino e sobrevivente
  • Cada assassino tem uma jogabilidade única
  • Ambientação sinistra e tensa
  • Multiplayer assimétrico muito bem executado
  • Possibilidade de jogar apenas com seus amigos
  • Quem tem uma conta no Twitch ganha um "modo a mais" de jogo

CONTRAS:

  • Modos de jogo limitados
  • Gráficos pixelados e bugs recorrentes
  • Sistema de recompensa e de conquista quase inexistente

Se você está à procura de um jogo online que lhe cause tensão intensa e genuína por algumas horas, Dead by Daylight é o jogo perfeito. Com uma ambientação digna dos melhores filmes de terror, consegue imergir os jogadores em uma atmosfera sombria e de medo. Apesar de adotar a fórmula já batida do gênero survival horror, o game executa muito bem a proposta de ser um multiplayer assimétrico.

Essa assimetria é equilibrada pelas vantagens e pelas desvantagens únicas dos sobreviventes e dos assassinos. Portanto seu sucesso depende não só da sua habilidade, mas das habilidades ou da falta delas de quem controla o inimigo ou os inimigos. É por isso que as partidas nesse jogo não tem tempo, centrando tudo no gameplay dos jogadores.

Um ótimo jogo para quem gosta de levar sustos

Dead by Daylight possui, contudo, uma vida útil curta. Esse não é um título para quem gosta de jogos com conquistas e recompensas motivadoras. Há um certo paradoxo no game que incomoda. Sua intenção é provocar tensão constante nos jogadores durante os trials, porém depois de um tempo essa sensação já se perde. O jogo acaba se tornando uma tentativa constante de acumular Bloodpoints para trocar por melhorias na Bloodweb.

A falta de diversificação nos modos de jogo talvez seja o grande pecado de Dead by Daylight. Nem mesmo os desafios diários, chamados de Daily Rituals, salvam a experiência geral depois que ela se torna repetitiva. O jogo tenta se provar como um novo sopro de vida ao gênero ao qual pertence, porém falha por limitar a experiência dos jogadores.

Apesar de não sair do lugar comum, Dead by Daylight vale a pena ser comprado por proporcionar um multiplayer assimétrico de qualidade. Dentre os demais jogos de survival horror da última leva, ele se destaca positivamente. Mesmo com suas repetições é um jogo muito bem produzido, capaz de divertir os mais diversos tipos de jogador. Principalmente aqueles que o jogarem com um headset, no escuro, às três da manhã.

NOTA FINAL: 7,5

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Ficha técnica:

  • Lançamento: 14/06/2016
  • Gênero: Survival horror
  • Desenvolvedora: Behaviour Interactive
  • Testado em: PlayStation 4
  • Plataformas: PC, Xbox One, PlayStation 4 e Nintendo Switch
Maurício Amaro
Maurício Amaro
Acadêmico e pesquisador na área de Game Studies, iniciou suas aventuras pelo mundo dos jogos ainda na infância, nos Arcades de Mortal Kombat. É fã incondicional dos games single player, mas não nega uma partidinha de FIFA no modo Online quando tem um tempo livre.